Empresas de manutenção costumam ter um bom controle dos chamados do dia e um controle frágil dos contratos que geram esses chamados. As informações ficam em PDFs na pasta do comercial, as datas de reajuste estão na cabeça de alguém e a renovação só é lembrada quando o cliente avisa que vai cotar outro fornecedor.
O resultado aparece no caixa: reajustes que deixam de ser aplicados, preventivas que não acontecem e serviços fora do escopo executados de graça. Neste guia, organizamos o que acompanhar em cada fase do contrato.
O que é gestão de contratos de manutenção
É o acompanhamento de tudo o que foi combinado com o cliente durante a vigência do contrato: escopo, ativos cobertos, frequência das preventivas, prazos de atendimento, valores, reajustes, aditivos e renovação. Diferente de um serviço avulso, o contrato é uma relação contínua, e cada mês sem controle aumenta a distância entre o que foi vendido e o que está sendo entregue.
Os elementos que precisam estar cadastrados
Antes de qualquer ferramenta, o contrato precisa estar traduzido em dados que a operação consiga usar. No mínimo:
- Partes e vigência: cliente, unidades atendidas, data de início, prazo e condições de renovação.
- Escopo: o que está incluso e, principalmente, o que não está (peças, deslocamentos extras, atendimentos fora do horário).
- Ativos cobertos: lista de equipamentos com número de série, localização e histórico.
- Plano de preventivas: periodicidade por tipo de ativo e checklist de cada visita.
- Níveis de serviço: prazos de resposta e solução por prioridade, com regras de pausa.
- Valores e reajuste: mensalidade, itens cobrados à parte, índice e data-base do reajuste.
Quando esses dados vivem só no PDF, ninguém na operação consegue responder rapidamente se um chamado está coberto ou se deve virar orçamento.
Onde os contratos perdem dinheiro
Serviço fora do escopo executado sem cobrança
O técnico chega, resolve o problema e vai embora. Ninguém verifica se aquele equipamento estava no contrato ou se o serviço exigia orçamento. Multiplicado por dezenas de atendimentos por mês, o vazamento é relevante.
Preventivas atrasadas ou não realizadas
Além do risco de multa, preventiva perdida vira corretiva mais cara. Em contratos com indicadores de disponibilidade, a conta aparece duas vezes.
Reajuste esquecido
Um contrato com reajuste anual pelo IPCA ou IGP-M que passa um ano sem atualização perde margem de forma silenciosa. Quanto maior a carteira, maior a chance de alguma data passar despercebida.
Falta de prova do que foi feito
Quando o cliente contesta uma visita e não existe foto, horário de chegada ou assinatura, a empresa costuma ceder. A ausência de evidência é tão cara quanto a falha no atendimento.
Como organizar na prática
1. Centralize contrato e chamados no mesmo lugar
O chamado precisa “saber” a que contrato pertence. Assim, quem faz a triagem vê na hora o escopo, o SLA e os ativos cobertos, e não precisa abrir o PDF para decidir se o atendimento é coberto ou vira orçamento.
2. Gere as preventivas a partir do plano
Planos de manutenção cadastrados por ativo geram as ordens de serviço automaticamente na periodicidade combinada. A equipe passa a trabalhar com uma agenda, e não com a memória de quem montou a planilha.
3. Crie avisos para datas do contrato
Vencimento, reajuste e renovação devem gerar alertas com antecedência suficiente para agir: 90 dias para renovações estratégicas, 30 dias para reajustes. No Business Care, essas datas ficam no próprio contrato e o aviso chega antes do vencimento.
4. Registre evidências em todos os atendimentos
Check-in geolocalizado, fotos de antes e depois, checklist preenchido e assinatura do responsável no local. Esses registros protegem a empresa em contestações e viram argumento na renovação.
5. Guarde o histórico do relacionamento
Chamados, aditivos, trocas de equipamento, reclamações e elogios em uma linha do tempo por cliente. Quando o gerente de contas muda, o histórico fica.
Indicadores para acompanhar mensalmente
- Percentual de preventivas realizadas no prazo.
- Cumprimento de SLA por prioridade.
- Chamados fora do escopo e quantos viraram orçamento aprovado.
- Custo de atendimento por contrato (horas, deslocamento e peças) contra a receita do contrato.
- Contratos com renovação ou reajuste nos próximos 90 dias.
O quarto item é o que mais surpreende: é comum descobrir contratos que dão prejuízo há meses, normalmente por excesso de corretivas em poucos ativos.
A renovação começa no primeiro dia
O cliente decide renovar ao longo do contrato, não na última reunião. Relatórios mensais com indicadores reais, histórico de atendimentos e evidências de cada visita mostram o valor entregue. Quem chega na renovação com dados negocia preço; quem chega sem dados negocia desconto.
Perguntas frequentes
Planilha resolve a gestão de contratos?
Para poucos contratos, sim. O problema aparece quando a carteira cresce e a planilha precisa conversar com chamados, ordens de serviço e faturamento. Aí o retrabalho e o risco de erro crescem mais rápido que a operação.
Qual índice usar no reajuste?
Os mais comuns são IPCA e IGP-M, mas o índice é uma negociação comercial. O importante é que índice, data-base e regra de aplicação estejam escritos no contrato e cadastrados no sistema.
Como tratar serviços fora do escopo?
Defina no contrato como eles são cobrados (tabela de preços ou orçamento prévio) e garanta que o técnico e a central saibam identificar quando um chamado está fora do escopo antes de executar.



